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Dicas de Criação de Personagens I
Uma das minhas partes favoritas se escrever, sejam roteiros, contos ou até aventuras de RPG, é criar personagens. Adoro criar personagens, sejam eles vilões, heróis ou coadjuvantes. Posso não ser um roteirista de HQs experiente, mas tenho bastante experiência na criação de personagens. Experiência adquirida em 15 anos como Mestre de Jogo em RPGs diversos, em contos e crônicas. Achei interessante então dividir minhas experiências e montar esse texto. O que irão ler a seguir são apenas dicas e não um método a ser seguido. Sintam-se a vontade para acrescentar essas dicas a seus próprios métodos pessoais, pois essa é a intenção.
Protagonista:
Não importa se é uma história de ficção, policial, terror, humor ou qualquer outro gênero, se o protagonista não for interessante, a história corre o sério risco de não funcionar como o autor deseja. Um dos meus primeiros focos quando quero desenvolver uma história é desenvolver a história do protagonista e sua relação com a história principal. Eu faço linhas do tempo de toda a vida do protagonista, de seu nascimento até o momento onde a história principal começa. Faço anotações sobre as pessoas que foram importantes para ele (ou ela), acontecimentos, vitórias e derrotas. A idéia é que você construa um personagem que poderia existir de verdade, alguém que você se identifica ou então que você sabe que alguém irá se identificar. Não se preocupe em desenvolver uma história de vida complexa pra seu protagonista, algumas vezes uma história mais simples nos dá mais oportunidades de desenvolver o personagem na história principal. Uma dica que vou dar é sobre qualidades e defeitos do personagem: evitem exageros. Personagens com centenas de qualidades e quase nada de defeito se tornam perfeitos demais e quase ninguém (exceto os narcisistas) vão se identificar com ele. Muitos defeitos também devem ser evitados, principalmente os excessivamente dramáticos, pois você corre o risco de transformar seu personagem num verdadeiro “muro das lamentações”. Alguns sistemas de RPG tinham uma espécie de questionário sobre o personagem que eram bem interessantes. Todos os recursos são válidos. Abaixo, um passo-a-passo sobre o que citei acima pra elucidar melhor:
1 – Defina a idade e a aparência do personagem.
2 – Construa uma linha do tempo sobre todos os acontecimentos da vida dele.
3 – faça anotações sobre sua família, amigos e demais pessoas importantes em sua vida.
4 – Faça anotações sobre as datas importantes para o personagem.
5 – Defina suas qualidades e defeitos baseados na história de sua vida, mas sem exageros. Defina sua personalidade.
Com tudo pronto, monte para você uma espécie de ficha de personagem para futuras referências. E se você, com o tempo desgostar de algo, mude. Só cuidado pra não mudar algo que você já publicou sem uma boa desculpa. Qualquer coisa, use o método Wolverine: eram implantes de memória.
Antagonistas:
Eu gosto de desenvolver antagonistas da mesma maneira que desenvolvo protagonistas. O antagonista não precisa ser necessariamente o vilão, ele é o rival do protagonista, o que concorre com ele. Se ambos são interessantes, a história tem tudo pra ficar boa. Construa um antagonista como se fosse um protagonista e depois trabalhe no diferencial entre eles, o que os torna rivais. Abaixo uma lista de perguntas que sempre me ajudam na hora de construir o antagonista:
- Quais são os objetivos do antagonista?!
- Qual a relação passada entre ele e o protagonista?!
- Ele deseja a morte do protagonista ou apenas derrotá-lo?!
- Como ele se sentiria se finalmente derrotasse o protagonista?!/b]
[b]- Como se sentiria se fosse derrotado pelo protagonista?!
Nem todo o antagonista é uma encarnação da maldade. Evite esse conceito de antagonista mal que quer dominar o mundo ou então que quer destruir o universo. Mesmo que o antagonista fosse alguém de má índole, ele tem seus objetivos próprios. Quanto a parte de dominar o mundo, esse é conceito clichê que pode até ser bem trabalhado, mas é arriscado. Na maioria dos casos, são os objetivos do antagonista que o colocam em lado oposto ao do protagonista. Mas isso não quer dizer que há um lado certo.
Coadjuvantes:
Pra criar coadjuvantes, eu uso um sistema bastante simples que apelidei de Sistema de Observação. Este sistema consiste em observar as pessoas a sua volta, principalmente as que você convive no trabalho ou etc. e usá-las como base para criar a personalidade de seus coadjuvantes. Já usei inúmeros colegas de trabalho, amigos, ex-namoradas e até parentes pra criar a base da personalidade de coadjuvantes. As vezes é legal até juntar traços de personalidade de duas pessoas distintas. Porém se o coadjuvante começar a se tornar importante e aparecer com freqüência, o ideal que se seja desenvolvido para ele uma história, mais ou menos como é feito pro protagonista.
Dica Geral:
Esta dica não serve apenas para personagens, mas para cenários e etc.: pesquisem sempre. Não se prendam a clichês na hora de fazer personagens de culturas diferentes, pesquisem sobre aquela cultura, sobre o local de onde o personagem vem e escolha um nome que tente sair do clichê, como Mustafá pra árabes, Pierre pra franceses e etc. Pense como um membro de determinada cultura ou tradição se sentiria se você tratar aquela cultura/tradição com respeito sendo fiel ao preceitos dela em sua história. Se você não gosta de ver o brasileiro sendo retratado como um meio homem meio macaco no meio da Amazônia, não faça o mesmo com outras culturas.
Espero que tenham gostado. []s Pepi
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